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Missão na Terra: proteger a vida e aprender o amor incondicional

Segunda-feira, 09.07.18

 

Aprendi muito cedo a proteger a vida, todas as espécies, e a amar incondicionalmente. Entretanto, quando saí desse mundo protegido, a família, a casa, o jardim, os avós, os tios, os primos, as outras famílias em redor, a escola, os livros nas estantes, a música... o impacto foi equivalente a sair da simplicidade do céu para a confusão do inferno.

É certo que consideramos o colégio interno como meio protegido, e é, mas não nos prepara para o essencial. Aprendi a viver no meu mundo, numa espécie de realidade virtual. A timidez foi adquirida, não era minha. A desconfiança foi adquirida, não era minha. Só o medo era meu.

Hoje teria batido o pé à minha mãe e teria ficado em casa a frequentar a telescola, onde se aprendia mais e melhor do que no colégio. Dois anos de bónus dessa simplicidade inteligente que perdi por cobardia.

 

É essencial preparar as crianças ao seu próprio ritmo, umas são rápidas e ágeis, adaptam-se com facilidade, são flexíveis, rodeiam os obstáculos. A minha agilidade era a fugir, e especializei-me nisso.

Isto para dizer que a família que tive a sorte de conhecer na infância, os que me ouviram e conversaram realmente comigo, o pai, a avó materna, o avô e as tias paternas, as primas, e as amigas Bébé, Gabriela e Guida, ficou longe nesses dois anos perdidos.

Estejam atentos às decisões que podem marcar uma vida. Não se precipitem, olhem, ouçam, sintam com todos os sentidos, antes de dar o passo que pode alterar e desorientar a vossa bússula inicial.

A minha bússula estava orientada para a família, a simplicidade, o jardim, os livros, a música, a vida, o amor incondicional. A partir desse impacto precoce com o outro lado, o materialismo, as divisões, a competição, os conflitos, refugiei-me nesse mundo paralelo, nessa realidade virtual.

Fui recuperando a pouco e pouco a minha alma original, retirando as camadas que a foram comprimindo, a timidez, a desconfiança, até reencontrar o essencial: a vida e o amor incondicional.

 

Deixei de fugir, à procura desse céu para sempre perdido. O céu passou a estar sempre comigo, para onde vá. As pessoas que encontro fazem parte desse céu. Todos se dedicam à mesma missão na Terra: proteger a vida e aprender o amor incondicional.

O lugar sonhado é onde estão os que nos amam e os que amamos, e está tudo certo. Em breve será um lugar concreto, onde nos juntamos de novo. A missão agora é essa. As três irmãs trocam territórios, mobília, livros, objectos, roupa especial que se vestiu no casamento ou num baile, memórias felizes que esperam tornar outros felizes, antes da mudança que se quer leve e simples.

A nova casa terá de ser adaptada ao pai, com espaço livre para se movimentar à vontade. Com sorte, terá um terraço e depois, o jardim. E estaremos de novo juntos.

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:39








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